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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Hackschooling

Logan La Plante é um menino de 13 anos que saiu da escola tradicional aos 9 anos e hoje aprende através de uma educação que ele denominou de Hackschooling. 
Frequentar uma escola, ir à faculdade, ter um emprego seguro, se casar e ter filhos é o roteiro de vida que muitos pais escolhem para seus filhos, acreditando que seguindo-o serão felizes. 
Segundo Sir Ken Robinson, a educação atual está mais preocupada em preparar os jovens para entrarem na faculdade e saírem bem em entrevistas de trabalho, do que realmente prepará-los para construir uma vida com realização e felicidade.
A proposta de Logan é uma nova porta que se abre como um modelo de educação, pois tem como prioridade a felicidade a saúde e a criatividade, elementos pouco priorizados na educação tradicional.



sábado, 7 de dezembro de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

WWOOF

Que tal se hospedar gratuitamente por todo o mundo, ter três refeições diárias em troca de trabalhar meio período em contato com a natureza. A rede de propriedades orgânicas proporciona isso.

A  World Wide Opportunities on Organic Farms  (WWOOF) (Rede mundial de oportunidades em Fazendas Orgânicas) começou na Inglaterra nos anos 70, organizando visitas de gente urbana com interesse de trabalhar como voluntarios em propriedades orgânicas. Em troca do  trabalho, as propriedades oferecem hospedagem e alimentos aos visitantes durante sua estadia. Hoje, WWOOF e uma organização mundial, com mais de 50 países envolvidos e milhares de viajantes e propriedades afiliadas.

A fundadora  dessa rede que existe desde muito antes da internet (desde a década de 70) Susan Coppard conta um pouco dessa experiência na revista Vida Simples.
Além de conhecer de perto toda a produção dos alimentos orgânicos, o turista percorre o mundo se hospedando de forma sustentável, para ele e para o dono da fazenda. Mas, muito mais do que viajar, a rede proporciona aos aventureiros um turismo diferenciado, com o voluntário participando ativamente da rotina do local.

Não só os turistas saem ganhando com a rede WWOOF. Para Adrian Saegesser, proprietário de uma pousada, a troca de experiência é mútua e, devido ao longo tempo da estadia – geralmente de um a dois meses –, precisa ser rentável para todos. Pensando na sustentabilidade da chácara de de três alqueires, com predomínio de mata nativa, Saegesser optou pela diversidade na fonte de renda.
Além de receber turistas, a pousada tem produção própria de geleias orgânicas e oferece reservas para servir o almoço rural vegetariano. A fazenda já recebeu turistas norte-americanos, australianos, ingleses, alemães, franceses, espanhóis, holandeses, belgas, canadenses, chilenos, bolivianos e hondurenhos. “O mundo vem para cá, portanto, eu não preciso ir para o mundo”, relata Saegesser, que já morou 18 anos na Europa.
Assim sendo, cada vez mais viajantes buscam – e encontram – no turismo orgânico a essência de uma vida regada a novas culturas e experiências.
Para você achar uma fazenda que te receba você tem que se inscrever como membro pagando $38 a anuidade. Ai você escolhe a fazenda, entra em contato com os proprietários e combina tudo com eles.
O casal do blog Casa na Viagem está viajando por várias fazendas brasileiras que pertence ao WWOOF e mostrando um pouco de cada uma, pelo relato deles, não consegui entender se necessariamente eles estão fazendo trabalho voluntário em cada uma delas, mas dá pra ter uma ideia de como são as fazendas e as belezas de cada uma delas.
Este não é o estilo de viagem para quem quer apenas viajar com pouca grana, é para pessoas que tem a paixão por conhecer exemplos de viver sustentável.
Matéria na Revista Comunità Italiana assinada pela Jornalista Aline Buaes
Leia na integra 

Com as mãos na terra - Brasileiros no Wwoof Itália

Os dez melhores lugares para wwofar na Europa, de acordo com o renomado jornal The Guardian http://www.guardiannews.com
1. Monte da Cunca, Algarve, Portugal
Monte da Cunca WWOOFing farm, Algarve, Portugal
Se você quiser combinar seu WWOOF com um ponto de Atlantic surf e caiaque em uma cabeça de água doce da lagoa, ao Monte da Cunca no Algarve sul-ocidental. "Eles chamam isso de paraíso WWOOFer aqui", diz o proprietário Klaus Witzmann, um engenheiro austríaco, que já recebeu voluntários para os últimos seis anos. WWOOFers trabalhar na horta orgânica, construir biodegradáveis ​​palha fardos de casas, decorar apartamentos turísticos e cuidar das cabras burro e cavalo. A acomodação é em caravanas, motorhomes, barracas ou yurts e não há TV ou internet. Bordeira praia é uma caminhada de 15 minutos das dunas de areia, pranchas de surf e bicicletas são livres para tomar emprestado.
2. Wine and olives in Tuscany, Italy
Trabalhar nesta fazenda familiar próximo Riparbella é limitada a um civilizados quatro horas por dia. A terra foi convertida para orgânica em 1981 e tem recebido WWOOFers desde 1997. Você pode esperar para cuidar das vinhas e olivais, bem como desmatamento e corte de grama. As refeições são principalmente vegetarianos e parcialmente orgânica e há espaço para dois voluntários. Alojamento WWOOFer está em uma casa separada com duche e WC, e é descrito como "rústico". A estadia mínima é de uma semana e falantes de inglês são os preferidos.
3. Goats and cheese in Cumbria, UK
Complementar suas recém-descobertas habilidades de vinificação por aprender sobre produção de caprinos e de queijos na chácara Moinho Sprint perto de Kendal. Anfitrião Edward Ackland acolheu 100 WWOOFers desde 2000, e as atividades giram em torno da floresta de manutenção, técnicas de madeira verde e um jardim de frutas e vegetais. Você também pode aprender sobre serralheria básica e ir nadar rio em seu tempo livre - esperar para trabalhar em torno de cinco horas por dia. Primeiro tempo WWOOFers são bem-vindos "É uma exploração não comercial", Ackland explica, "é sobre um estilo de vida de qualidade."
4. Beekeeping in Piedmont, Italy
Se você quiser descobrir os segredos da apicultura, a APICOLTURA Leida Barbara produz mel orgânico, abelhas rainhas e pólen, bem como cultivar uma pequena horta. WWOOFers ficar em um quarto privado com casa de banho. O alimento é orgânico e, principalmente, os vegetarianos podem ser feitas. De abril a agosto, os voluntários são baseados nas montanhas, mas gastar outono e inverno de volta na fazenda. Inglês é falado e a estadia mínima é de uma semana.
5. Growing vegetables in the Arctic, Sweden
Aurora WWOOFing farm, Sweden
Aurora WWOOFing farm, Sweden
A pousada neste retiro remoto era uma vez o vicariato aldeia e, geralmente, recebe hóspedes pagantes para esportes de baixo impacto férias de inverno. Mas os donos de Mikael e Maya tem novas ambições de crescer mais de alimentos do retiro e agora estão abrindo suas portas para WWOOFers períodos de maio a setembro. "Nós não pedimos para que as pessoas vêm, mas as pessoas pediram para vir aqui", diz Mikael, que espera estabelecer um vegetal e norte jardim de ervas 100 quilômetros do Círculo Polar Ártico. Gaste o seu tempo livre explorando as florestas que rodeiam cristalinas, rios e pântanos. O retiro tem um ethos de sustentabilidade forte - o que é tão bem como não há coleta de lixo.
 WWOOF Sweden Mais informações: auroraretreat.se
6. Sedlescombe organic wines, East Sussex, UK
Mais antiga da Grã-Bretanha vinha orgânica agora se estende por 23 hectares, em East Sussex, mas começou com apenas 2.000 plantas em 1979. Um dos quatro vinhedos orgânicos no país, que tem sido desenvolvido por Roy Cooke e sua família, que produzem cerca de 15 mil garrafas de vinho orgânico cada ano e se hospedado WWOOFers para 25 anos. Voluntários são geralmente independentes, com utilização de TV, internet e às vezes um carro. A estadia mínima é de uma semana e acomodação é em caravanas com uma refeição comunal com os anfitriões Roy e Irma, uma vez por semana. O período mais movimentado é de Páscoa para novembro.
7. Beauchamp, Dordogne, France
Beauchamp, WWOOFing farm, Dordogne, France
Beauchamp, WWOOFing farm, Dordogne, France
Uma extensão de 20 hectares de bosques, jardins e pomar, na fronteira da Dordogne e Gironde, Beauchamp foi criado há 15 anos como uma comunidade sem fins lucrativos. Seus objetivos são a auto-suficiência, sustentabilidade e promoção da permacultura (agricultura e horticultura que imitam interdependências natureza e diminuir a necessidade de intervenção humana). Energia elétrica, telefone e internet disponível, mas nenhuma TV. Os voluntários ajudam com a jardinagem, a colheita, a construção e preservação de produtos para o inverno.
 WWOOF France More information: beauchamp24.com
8. Eco-Frontiers ranch, Carpathian Mountains, Poland
Eco-Frontiers WWOOFing ranch, Carpathian Mountains, Poland
Eco-Frontiers WWOOFing ranch, Carpathian Mountains, Poland
Dentro de distância sniffing da fronteira da Ucrânia, no sudeste da Polônia, esta fazenda sustentável é totalmente fora da grade (alimentado com seu próprio poder solar e eólica) e protege muitas espécies raras, incluindo diversas variedades de orquídeas. Construída há mais de dois anos de sangue, suor e esquis em terra abandonada pós-comunista agrícola, a fazenda é a criação dos exércitos Andrzej e Agnieszka. Cerca de 10 WWOOFers uma ajuda anos com jardinagem e trabalho a fazer com os cavalos. Em troca, eles começa a ficar em quartos normalmente reservados para pagar os hóspedes. A estadia mínima é de uma semana.
 WWOOF Independents More information: ecofrontiers.net
9. Carraig Dúlra organic farm & living skills bank, Co Wicklow, Ireland
Bushcraft at Carraig Dúlra WWOOFing farm, Co. Wicklow, Ireland
Bushcraft at Carraig Dúlra WWOOFing farm, Co. Wicklow, Ireland
Carraig Dúlra é mais do que uma pequena propriedade familiar: abriga cursos que vão desde a construção sustentável para bushcraft e apicultura. Depois de uma temporada de seis meses de voluntariado na França, Itália e Croácia - com quatro filhos menores de 10 anos no reboque - anfitriões Suzie e Mike partiu para estabelecer um WWOOFer de volta para casa da comunidade e congratularam-se com voluntários para os últimos três anos. Campos de todo mundo (incluindo os anfitriões) e WWOOFers ajudar com jardinagem permacultura, trabalhos de construção, apicultura, sistemas de água, cursos e eventos. Não há eletricidade. Estadias de 10-14 dias são preferíveis.
 WWOOF Ireland More information: dulra.org
10. Nadomak Sunca, Istria, Croatia
Nadomak Sunca WWOOFing NGO, Istria, Croatia
Nadomak Sunca WWOOFing NGO, Istria, Croatia
Uma oportunidade incomum de WWOOF para uma ONG de crianças. Nadomak Sunca foi criado em 1993, durante a guerra na ex-Jugoslávia, para fornecer a longo prazo famílias de acolhimento para crianças que ficaram órfãs ou deslocadas. Seu trabalho continua com jovens desfavorecidos. WWOOFers trabalhar na horta orgânica, o que alimenta as famílias de acolhimento, e ajudar com atividades para crianças terapêuticas, tais como equitação e jardinagem. A estadia mínima é de três meses e há algumas restrições de visto.


Mais informações: nadomaksunca.org

Wwoofar ao redor do mundo:
Brasil
Relação de fazendas no Brasil:
EUROPA & ORIENTE MÉDIO
WWOOF Austria
Web: www.wwoof.at.tf
WWOOF Bulgaria
Web: www.wwoofbulgaria.org
WWOOF Republica Tcheca
Web: www.wwoof.cz
WWOOF Dinamarca
Web: www.wwoof.dk
WWOOF Estonia
Web: www.wwoof.ee
WWOOF França
Web: www.wwoof.fr
WWOOF Alemanha
Web: www.wwoof.de
WWOOF Irlanda
Web: www.wwoof.ie
Lists hosts in both Northern and Southern Ireland
WWOOF Israel
Web: www.wwoof.org.il
WWOOF Itália
Web: www.wwoof.it
WWOOF Portugal
Web: www.wwoofportugal.org
WWOOF Romania
Web: www.wwoof.ro
WWOOF Eslovenia
Web: www.wwoof.org/slovenia/
WWOOF Espanha
Web: www.wwoof.es
WWOOF Suécia
Web: www.wwoof.se
WWOOF Suíça
Web: http://zapfig.com/wwoof/
WWOOF Turquia
Web: www.bugday.org/tatuta/?lang=EN
WWOOF Reino Unido 
Web: www.wwoof.org.uk
AMÉRICAS
WWOOF Belize
WWOOF Canada
WWOOF Costa Rica
WWOOF Mexico
Web: www.wwoofmexico.com
WWOOF Chile
WWOOF Brasil
WWOOF Ecuador
ÁFRICA
WWOOF Camerões
Email: wwoofcam.org@live.fr
WWOOF Ghana
Email: kingzeeh@yahoo.co.uk
WWOOF Sierra Leone
Web: www.wwoofsl.org
WWOOF Uganda
Email: bob_kasule@yahoo.com

 

PACÍFICO & ÁSIA
WWOOF Australia
Web: www.wwoof.com.au
WWOOF China
Web: www.wwoofchina.org
WWOOF India
Web: www.wwoofindia.org
WWOOF Japão
Web: www.wwoofjapan.com
WWOOF Kazakhstan
Web: http://kazakhstanwwoof.narod.ru
WWOOF Coréia
Web: www.wwoofkorea.co.kr/
WWOOF Nepal
Web: www.wwoofnepal.org
WWOOF Nova Zelândia
Web: www.wwoof.co.nz
WWOOF Filipinas
Web: www.wwoof.ph
WWOOF Taiwan
Web: www.wwooftaiwan.com


Fonte: wwoof.org

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PEDAGOGIA QUE TRANSFORMA

A pedagogia libertária abrange quase todas as tendência anti-autoritárias em educação, dentre elas a anarquista, a psicanalista, a dos sociólogos e também a dos professores progressistas. Entende que em cada ser humano reside todas as possibilidades de ação e inteligência, necessárias para realizar na própria vida e na comunidade a convivência harmônica baseada na liberdade de expressão e livre escolha sempre. Um ser que é totalmente íntegro que nunca se sujeitou a opressão que o capitalismo impõe, é um ser autêntico e amoroso. Alguém que entende que TODOS são iguais e que o status quo é uma ilusão imposta pelo sistema piramidal e de domínio que incentiva a competição e não a solidariedade. As crianças de hoje não suportam mais esta estrutura de ensino falida e fracassada que aí está pois estão ligadas mais no SER do que no TER, mas este é um tema que abordarei num próximo post...
Recomendo a leitura deste link para entender um pouco mais sobre a pedagogia libertária na educação Brasileira.
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/32/art09_32.pdf



Algumas palavras sobre domesticação, revolta e de que lado nós estamos


   A ferocidade se manifesta quando a existência livre é molestada. Assim como um animal se debate quando é capturado, quando uma mãe ursa defende sua cria, quando índios lutam até a morte contra os colonizadores, quando povos africanos escravizados se rebelaram contra sua condição e fugiam para voltar a viver de uma maneira comunal; os luditas destruindo as "fábricas de opressões", os jovens imigrantes e filhos de imigrates na França, que recentemente entre os anos de 2005 e 2006, queimaram carros, escolas, lojas e prédios do  Estado em resposta ao assasinato de dois adolescentes que fugiam da polícia. Estes são alguns exemplos de que a rebeldia sempre estará presente quando nossa liberdade e aqueles que amamos forem ameaçados e molestados. A rebeldia esteve presente desde o inicio da civilização e estará até seu fim.

 Porém, hoje parece que muitos estão aceitando passivamente a domesticação, aceitando pacificamente o roubo de nossa existência.
O que está nos separando da nossa ferocidade?  O que está nos deixando cada vez mais distantes de nós mesmos ao ponto de nos tornarmos uma mera peça de engrenagem da civilização, nos privando de uma existência plena em comunhão com a natureza e ainda acreditarmos que está tudo bem?
Estão sugando toda nossa vitalidade, e estão tomando cuidado para nos deixarem somente o medo.

Claro, não é preciso dizer que a inércia, as bugigangas inúteis e tóxicas e as propagandas que 24 horas por dia nos dizem que só seremos felizes se comprarmos mais e mais bugigangas, quando assistimos mais e mais programas de tv e espetáculos, e que votar periodicamente para prefeito, governador e presidente cria a ilusão de estarmos numa sociedade onde temos poder de escolha e decisão, enfim, que tudo isso colabora para a sensação de que tudo está bem.

A rebeldia é um anticorpo. E esse anticorpo é um dos principais alvos que as forças domesticadoras se empenham em anular.  O Brasil, por exemplo, é um lugar onde as forças domesticadoras têm conseguido com muito êxito manter anestesiada a revolta. O dia 7 de setembro ( data de uma comemoração nacionalista e patriota, ou seja, racista e separatista ) não encontra nenhum obstáculo - o método de domesticação através do nacionalismo tem sido um sucesso. Nas escolas aprendemos que os quebradores de máquinas (ludditas) são uns vândalos e ignorantes que não queriam o progresso, e também na escola aprendemos a venerar o progresso, a tecnologia , o desenvolvimento e o crescimento econômico; aprendemos também que o Estado, o maior parasita da humanidade, é a vontade do povo (pelo progresso) e que a polícia é necessária para manter a ordem e segurança, pois sem isso teríamos a 'anarquia'.  Na escola também aprendemos como matéria principal a obediência e o respeito a autoridade: ir ao banheiro somente quando for autorizado, vinte minutos de intervalo, provas, horários, lição de casa, professores e diretor; aprendemos na escola que a rebeldia e a desobediência é 'delinquência', mas não explicam a origem da 'delinquência'. O que é a 'delinquencia'?

Nossa existência e capacidade de cuidar de nós mesmos estão sendo roubadas pelo trabalho a troco de bugigangas e de um 'tempo livre' regado a mediações e espetáculos; o planeta está sendo arruínado: florestas estão sendo devastadas e a urbanização se espalha desenfreadamente, mares poluídos e desertos azuis se propagam, rios estão sendo mortos e modificados; povos indigenas (aqueles com quem temos muito a aprender) com suas terras invadidas e roubadas se tornando seres desenraizados, muitas vezes suicidas e alcoolizados frente ao vazio de suas vidas roubadas e a visão de seus filhos morrendo de fome e de doenças civilizadas*; animais são mortos diariamente aos milhões seja pela agricultura ou pela pecuária, o industrialismo e a urbanização contribuem para a matança daqueles com quem compartilhamos este planeta seja pela devastação ambiental por recursos e expansão, seja pelas estradas que cortam ecossistemas inteiros para poderem escoar as bugigangas produzidas por toda parte; outros tantos milhares de animais são torturados em laboratórios diariamente na desculpa de 'buscar a cura dos males que afligem a humanidade' (antropocentrismo à parte, 'cura' de doenças criadas pela própria civilização), isso sem citar o uso de animais para a "diversão", uma humilhação sem tamanho contra nossos irmãos. E assistimos também o espetáculo ou choro das falsas e parciais oposições que não entendem ou não querem entender que o mal se corta pela raiz.
Isso tudo está acontecendo aqui e agora, diariamente. E sujeitos a um cotidiano degradante de trabalho e consumo, o que temos é conivência, e não desobediência/insurgência e revolta, e assim se continua a assistir a nossa destruição e a destruição do planeta (na ilusão de que a reciclagem e o biodiesel  nos salvará do aquecimento global).

A insurgência, a desobediência, a revolta contra a civilização está se levantando energicamente assim como o planeta está reagindo as mudanças que nosso modo de vida causou. O selvagem se vinga! não se pode controlar o que é selvagem! A revolta é inevitável.

 A revolta contra a civilização em “duas frentes” 

De maneira alguma quero tentar limitar a revolta em 'duas frentes' , mas penso que seja útil aqui abordar desta maneira.
As duas frentes:
1) A construção de um novo modo de vida baseado em fundamentos contrários aos da civilização.
2) O ataque contras as estruturas físicas da civilização (tais estruturas tem nome e endereço).

Primeiramente a construção de nossa autonomia. Essa autonomia obviamente é em todos os níveis. Isso significa romper a nossa dependência do Estado e do mercado, significa a construção de novos modos sustentáveis e biocêntricos de providenciarmos as nossas reais necessidades para nós e para os nossos queridos; significa a reabilitação dos nossos sentidos adormecidos, de nossa espiritualidade única e individual, o que requer a reapropriação do tempo e espaço; novas maneiras de compartilharmos o conhecimento da experiência humana, novas maneiras de nos relacionarmos com o nosso planeta e seus habitantes. E nisso, o resgate de nosso passado (extremamente recente) nomade coletor-caçador tem uma grande importância, não significa retorno, significa resgate, significa cura.
 Alguém pode considerar esta estratégia não como um ataque mas sim uma 'oposição passiva', eu discordo completamente, a não ser em casos de auto-isolamento ( e mesmo assim não vejo com maus olhos tais iniciativas).
Ao meu ver, construir a autonomia é um forte ataque à civilização, construir uma nova comunidade que não se baseia nos fundamentos da civilização é um golpe firme contra a civilização, pois fazer acreditar que existe somente uma maneira de viver, somente uma maneira 'certa' de viver é um das ferramentas mais eficientes da civilização para nos manter reproduzindo a sua lógica, para nos manter nas suas engrenagens. Exemplos de outros modos de vida são uma arma vital contra esta forma anuladora da vida e da diversidade. Mas esta construção não é a construção de um gueto, é uma ofensiva persistente.

É bem claro que para criarmos esta autonomia, para reapropriarmos o tempo e espaço requer também o ataque físico a civilização, e é sobre isso que eu vou falar brevemente agora, a segunda 'frente'.

Construir uma nova vida requer destruir o velho mundo, e isto significa também o ataque contra as estruturas físicas da civilização. Este ataque, penso que vai desde pichações até sabotagens das estruturas tecnológicas e industriais que sustentam o sistema e seu maquinário de repressão e controle.
É bom eu ter falado nas pichações pois isso leva a um pequeno detalhe de grande importância: as pequenas ações. As pequenas ações como pichações, ocupações/squats e a sabotagem menor, além de serem estratégias que exigem técnicas e materiais que são acessíveis a qualquer indivíduo, possuem um efeito qualitativo muito importante contra a "paz social", em outras palavras, contra a dormência dos domesticados. O sistema obviamente não teme estas pequenas ações, o que ele teme é a difusão destas pequenas ações, pois por sua facilidade de reprodução pode despertar a paixão da revolta contida entre os indivíduos explorados.
O ataque ao sistema deve ser tão variado e diverso o quanto a imaginação permitir. A arte de atacar e de se retirar é vital aqui.
A civilização pode entrar em colapso por não haver mais alternativas para a extração de recursos, por exemplo, mas pode entrar em colapso quando não é mais aceitável a sua existência, e isso nos leva aos ataques 'maiores', ataques contra os tentáculos e contras as principais veias da civilização industrial. Destruição de estradas, industrias e laboratórios, torres de energia, destruição de ferrovias, a sabotagem contra os avanços da urbanização, a sabotagem contra a construção de prisões, a sabotagem contra os meios de comunicação. Enfim, atingir onde dói.
Ao meu ver uma estratégia depende da outra, uma complementa a outra. Não existe contradição entre elas. Ambas colaboram para o colapso.

 Uma responsabilidade revolucionária? adiantar o colapso.

Muitas vezes vejo comentários de que a 'ideologia' do colapso é uma recusa da 'responsabilidade' revolucionária. Bom, para rebater este pensamento limitado nada mais útil do que atualizarmos o que significa 'colapso'. Pelo menos eu entendo e visualizo o colapso como a revolta da terra e de seus habitantes contra a civilização; a falência do industrialismo; o desmanche de uma ilusão cuiltivada pela televisão, pelos jornais, escolas e ambientes de trabalho, o que significa o levante humano contra o que tem sugado sua vitalidade e plenitude. Colapso, ao meu ver, é também o ápice da revolta.

A responsabilidade revolucionária, para mim, é o adiantamento deste colapso, é o jogar com elementos que provoquem o desmanche da ilusão, é a sabotagem de toda estrutura física que sustenta esta máquina, é o ataque surpresa a toda normalidade, é a destruição de toda jaula e o ataque a todo carrasco e carcereiro, é a vingança contra todo domesticador.

A revolta contra a civilização é a cura de uma profunda ferida de 10.000 anos de domesticação, é a destruição dos agentes que tem nos causado este pesadelo.
Existe uma guerra contra esta máquina, contra o roubo de nossa vida e a destruição do nosso planeta. Uma guerra pela vida contra a civilização.
E a pergunta não poderia ser outra: De que lado você esta?


 - Polar

nota: * A reação dos povos indígenas modo de vida ocidental é crescente, é o que se entende por 'povos ressurgidos".



FONTE: Coletivo erva daninha